3.3 História da Implementação
3.3 History of Implementation
É verdade que, no mundo contemporâneo, não existe plenamente um modelo prático da ideologia islâmica. No entanto, o Islã não é uma religião ou ideologia nova. Pelo contrário, o Islã tem o registro de implementação mais longo de qualquer ideologia. O socialismo possui menos de oitenta anos de experiência em seu histórico. O capitalismo, em qualquer de suas formas, mal conta com duzentos anos de implementação prática. O Islã, por outro lado, teve mais de mil e trezentos anos de implementação. Durante esse período, conheceu força e fraqueza, vitória e derrota, progresso e declínio. Em outras palavras, a duração da ideologia islâmica na vida prática oferece dados suficientes para validar a capacidade do Islã de lidar com diversos aspectos da vida, de enfrentar crises, de resolver problemas humanos, de organizar a vida das pessoas, de administrar as relações de guerra e de gerir as inter-relações pacíficas.
It is true that a practical model of the Islamic ideology does not fully exist in the contemporary world. However, Islam is not a new religion or ideology. On the contrary, Islam has the longest record of implementation for any single ideology. Socialism has less than eighty years of experience in its record. Capitalism, in any of its forms or shapes, barely has two hundred years of practical implementation in its record. Islam, on the other hand, had more than thirteen hundred years of implementation. During this period, it experienced strength and weakness, victory and defeat, progress and decline. In other words, the duration of the Islamic ideology in practical life has sufficient data to validate the ability of Islam to cope with various aspects of life, to deal with crisis, to resolve human-related problems, to organize the life of humans, to administer warfare relations, and to manage peaceful interrelations.
Ao longo do período de implementação do Islã, várias nações passaram a estar sob o domínio islâmico, com línguas, etnias, religiões, cores e raças diversas. Assim, o registro da aplicação do Islã é muito mais rico do que o necessário para testar qualquer ideologia. Esta seção apresentará um breve relato da história da ideologia islâmica em ação. Para informações mais detalhadas sobre a história do Estado e da civilização islâmicos, o leitor pode consultar uma ampla variedade de publicações sobre a história islâmica.176
Throughout the implementation period of Islam, several nations came under the rule of Islam with diverse languages, ethnicity, religions, colors, and races. So the record of implementation of Islam is far more rich than required to test any ideology. This section will provide a brief account of the history of the Islamic ideology in action. For more detailed information on the history of the Islamic state and civilization, the reader can consult a wide spectrum of publication on the Islamic history.176
Para ilustrar o sucesso da ideologia islâmica em alcançar os seus objetivos de criar um sistema estável e justo, recorrerei aos testemunhos de eruditos e historiadores. Recorrerei também aos testemunhos de historiadores e eruditos não muçulmanos, para conferir mais credibilidade à discussão e às conclusões.
To illustrate the success of the Islamic ideology in achieving its objectives in creating a stable and just system, I will rely on historical witnesses of scholars and historians. I will resort to the witnesses of non-Muslim historians and scholars to add more reliability to the discussion and conclusions.
Muitos historiadores dedicaram parte de seus relatos à personalidade de Maomé, o Profeta, como criador de uma civilização baseada na ideologia e na religião do Islã. A personalidade do líder e sua capacidade de moldar uma sociedade segundo suas ideias e crenças demonstram a praticidade da ideologia. Edward Gibbon, em *The Decline and Fall of the Roman Empire*, escreve sobre o Profeta Maomé ﷺ e diz: "O bom senso de Maomé ﷺ desprezava o esplendor da realeza. O Apóstolo de Deus ﷺ submetia-se às tarefas servis da família; acendia o fogo, varria o chão, ordenhava as ovelhas e consertava com as próprias mãos seus sapatos e vestes. Desdenhando a penitência e o mérito de um eremita, observava, sem esforço de vaidade, a dieta frugal de um árabe." Edward Gibbon e Simon Oakley, em outro relato, estendem a observação das qualidades singulares de administração de Maomé ﷺ a seus seguidores e à capacidade deles de sustentar uma civilização por mais de mil e duzentos anos. A força moral do Profeta Maomé ﷺ é citada como um grande fator do sucesso da civilização que ele criou. Gibbon e Oakley escrevem com grande estima e admiração: "Não é a propagação, mas a permanência de sua religião que merece nossa admiração; a mesma impressão pura e perfeita que ele gravou em Meca e Medina é preservada, após as revoluções de doze séculos, pelos prosélitos indianos, africanos e turcos do Alcorão." A coerência entre o fundamento teórico da ideologia e sua implementação prática é percebida por Gibbon e Oakley em seus escritos. "Os muçulmanos resistiram uniformemente à tentação de reduzir o objeto de sua fé e devoção ao nível dos sentidos e da imaginação humana." Com grande elegância, os historiadores afirmaram que a simplicidade do credo islâmico (creio em um só Deus e em Maomé ﷺ, Apóstolo de Deus ﷺ) teve grande impacto na implementação bem-sucedida da ideologia simples e invariável do Islã. "A imagem intelectual da Divindade nunca foi degradada por qualquer ídolo visível; as honras do Profeta ﷺ jamais ultrapassaram a medida da virtude humana, e os seus preceitos vivos contiveram a gratidão dos seus discípulos dentro dos limites da razão e da religião."179
Quite few historians devoted part of their account to the personality of Mohammad the Prophet as a creator of a civilization based on the ideology and religion of Islam. The personality of the leader and his ability to mold a society based on his ideas and beliefs demonstrates the practicality of the ideology. Edward Gibbon in The Decline and Fall of the Roman Empire177 writes about Prophet Mohammad and says, “The good sense of Mohammad despised the pomp of royalty. The Apostle of God submitted to the menial offices of the family; he kindled the fire; swept the floor; milked the ewes; and mended with his own hands his shoes and garments. Disdaining the penance and merit of a hermit, he observed without effort of vanity the abstemious diet of an Arab.” Edward Gibbon and Simon Oakley, in another account, extend the observation from the unique stewardship traits of Mohammad to his followers and their ability to sustain a civilization for more than twelve hundred years.178 The moral force of Mohammad the Prophet is cited as a major contributor to the success of the civilization he created. Gibbon and Oakley write with great esteem and admiration, “It is not the propagation but the permanency of his religion that deserves our wonder, the same pure and perfect impression which he engraved at Mecca and Medina is preserved after the revolutions of twelve centuries by the Indian, the African and the Turkish proselytes of the Quran.” The consistency of the theoretical foundation of the ideology with the practical implementation is noticed by Gibbon and Oakley in their writings. “The Muslims have uniformly withstood the temptation of reducing the object of their faith and devotion to a level with the senses and imagination of man.” With great elegance, the historians maintained that the simplicity of the creed of Islam (I believe in One God and Mohammad the Apostle of God) had a great impact on the successful implementation of the simple and invariable ideology of Islam. “The intellectual image of the Deity has never been degraded by any visible idol; the honors of the Prophet have never transgressed the measure of human virtue, and his living precepts have restrained the gratitude of his disciples within the bounds of reason and religion.”179
Em 1878, o Reverendo Bosworth Smith, após uma investigação minuciosa da história do Islã e do homem por trás da implantação bem-sucedida do Islã, descreveu Maomé como "chefe do Estado tanto quanto da Igreja (ou religião)", numa referência à integração das funções estatais dentro do Islã. Segundo o Rev. Smith, Maomé era César e papa ao mesmo tempo; mas era papa sem as pretensões do papa, e César sem as legiões de César, sem um exército permanente, sem guarda-costas, sem força policial, sem receita fixa. O Rev. Smith conclui sua constatação com o seguinte testemunho: "Se alguma vez um homem governou por direito divino, esse foi Maomé ﷺ, pois possuía todos os poderes sem os seus suportes. Não se importava com os adornos do poder. A simplicidade de sua vida privada estava em harmonia com sua vida pública." Em outras palavras, a ideologia abrangente do Islã foi sustentada por uma liderança forte e inteligente, que criou uma história de sucesso. Nas palavras do Reverendo, "depois que sua missão foi proclamada, temos um livro (o Alcorão) absolutamente único em sua origem, em sua preservação, em cuja autoridade substancial ninguém jamais conseguiu lançar uma dúvida séria". Outra investigação sobre a história da implantação do Islã foi conduzida por Arthur Stanley Tritton. Ele examinou a afirmação feita por alguns historiadores de que o Islã foi espalhado pela espada, e que os muçulmanos forçaram outras nações a aderir ao Islã após a conquista de suas terras. Em 1951, A. S. Tritton escreveu: "A imagem do soldado muçulmano avançando com uma espada em uma mão e o Alcorão na outra é bastante falsa." A mesma conclusão foi alcançada por De Lacy O'Leary em sua publicação Islam at the Crossroads, onde escreveu: "A história deixa claro, contudo, que a lenda de muçulmanos fanáticos varrendo o mundo e impondo o Islã à força da espada sobre povos conquistados é um dos mitos mais fantasticamente absurdos que os historiadores já repetiram." Esta conclusão também foi formulada por James Michener,185 que afirma: “Nenhuma outra religião na história se espalhou tão rapidamente quanto o Islã. O Ocidente acreditou amplamente que esse surto religioso foi possibilitado pela espada. Mas nenhum estudioso moderno aceita essa ideia, e o Alcorão é explícito no apoio à liberdade de consciência.” Lawrence E. Browne186 também rejeita o mito em torno da propagação do Islã pela força e faz as seguintes observações: “Fatos bem estabelecidos afastam a ideia tão amplamente difundida nos escritos cristãos de que os muçulmanos, por onde quer que passassem, forçavam as pessoas a aceitar o Islã sob a ponta da espada.” A alegação de que o Islã usou a espada para espalhar a religião não tem qualquer evidência, como afirmam diversos historiadores. O historiador K. S. Ramakrishna Rao, em Mohammed: The Prophet of Islam (1989), diz que essa alegação é uma distorção da história e nem sequer merece investigação. Ele confirma as conclusões de outros historiadores sobre a incorreção da afirmação de que o Islã se espalhou pelo poder da espada.
In 1878, Reverend Bosworth Smith,180 after a thorough investigation of the history of Islam and the man behind the successful implementation of Islam, described Mohammad as “head of the State as well as the Church (or religion)” in a reference to the integration of the state functions within Islam. According to Rev. Smith, Mohammad was Caesar and pope in one; but he was pope without the pope’s pretensions, and Caesar without the legions of Caesar, without a standing army, without a bodyguard, without a police force, without fixed revenue. Rev. Smith concludes his finding with the following testimony: “If ever a man ruled by a right divine, it was Mohammad, for he had all the powers without their supports. He cared not for the dressings of power. The simplicity of his private life was in keeping with his public life.” In other words, the comprehensive ideology of Islam was backed by a strong and intelligent leadership, which created a story of success. In the Reverend’s words, “after his mission had been proclaimed, we have a book (Quran) absolutely unique in its origin, in its preservation, on the Substantial authority of which no one has ever been able to cast a serious doubt.” Another investigation of the history of the implementation of Islam was conducted by Arthur Stanley Tritton.181 He examined the claim made by some historians that Islam was spread by the sword, and that Muslims forced other nations into Islam after the conquest of their lands. In 1951, A. S. Tritton wrote, “The picture of the Muslim soldier advancing with a sword in one hand and the Qur’an in the other is quite false.”182 The same conclusion was made by De Lacy O’Leary183 in his publication Islam at the Crossroads184 where he wrote, “History makes it clear, however, that the legend of fanatical Muslims sweeping through the world and forcing Islam at the point of sword upon conquered races is one of the most fantastically absurd myths that historians have ever repeated.” This conclusion was also made by James Michener,185 where he says, “No other religion in history spread so rapidly as Islam. The West has widely believed that this surge of religion was made possible by the sword. But no modern scholar accepts this idea, and the Quran is explicit in the support of the freedom of conscience.” Lawrence E. Browne186 also dismisses the myth surrounding the spread of Islam by force and makes the following remarks: “Well-established facts dispose of the idea so widely fostered in Christian writings that the Muslims, wherever they went, forced people to accept Islam at the point of the sword.” The claim that Islam used the sword to spread the religion has no evidence whatsoever as asserted by several historians. Historian K. S. Ramakrishna Rao, in Mohammed: The Prophet of Islam (1989), says that this claim is a distortion of history and it is not even worth the investigation. He confirms the conclusions of other historians about the incorrectness of the claim that Islam had spread by the power of the sword.
Talvez, um dos relatos mais completos da história do Islã, no que diz respeito ao fundamento ideológico, ao Profeta do Islã (Maomé ﷺ) e à civilização islâmica, tenha sido apresentado por Alphonse de Lamartine. Em seu célebre artigo "Historie de la Turquie", Lamartine chegou à seguinte conclusão sobre o Profeta Maomé ﷺ: "Nunca um homem se propôs, voluntária ou involuntariamente, um objetivo mais sublime, pois esse objetivo era sobre-humano: subverter as superstições que haviam sido impostas entre o homem e o seu Criador, para devolver Deus ao homem e o homem a Deus." Lamartine admirava a capacidade de Maomé ﷺ de "restaurar a ideia racional e sagrada da divindade em meio ao caos dos deuses materiais e desfigurados da idolatria." Ao unir teoria e prática, Lamartine escreveu: "Nunca um homem empreendeu uma obra tão além do poder humano com meios tão frágeis, pois ele (Maomé ﷺ) não tinha, na concepção e na execução de um projeto tão grandioso, outro instrumento senão a si mesmo e nenhuma outra ajuda além de um punhado de homens que viviam num canto do deserto." A transformação de um fundamento teórico e de uma ideologia em uma revolução e na construção de uma civilização duradoura foi registrada pelo historiador francês com grande apreço: "Nunca um homem realizou uma revolução tão vasta e duradoura no mundo, porque, em menos de dois séculos após o seu surgimento, o Islã, pela fé e pelas armas, reinou sobre toda a Arábia, e conquistou, em nome de Deus, a Pérsia, o Corasã, a Transoxânia, o oeste da Índia, a Síria, o Egito, a Abissínia, todo o continente conhecido do norte da África, numerosas ilhas do Mar Mediterrâneo, a Espanha e parte da Gália." Ao concluir suas observações e traçando um paralelo com sistemas e ideologias contemporâneas, Lamartine concede decididamente a Maomé ﷺ o título de grandeza, não apenas pela teoria sólida e sã que proclamou, mas também pelo sistema que construiu sobre esse fundamento. Suas observações podem ser resumidas da seguinte forma: "Se a grandeza de propósito, a pequenez de meios e os resultados surpreendentes são os três critérios do gênio humano, quem ousaria comparar qualquer grande homem da história a Maomé ﷺ? Os homens mais famosos criaram apenas exércitos, leis e impérios. Eles fundaram, se é que fundaram alguma coisa, nada mais do que poderes materiais que muitas vezes desmoronaram diante de seus olhos. Este homem moveu não apenas exércitos, legislações, impérios, povos e dinastias, mas milhões de homens em um terço do mundo então habitado; e mais do que isso, ele moveu os altares, os deuses, as religiões, as ideias, as crenças e as almas." O poder do Islã e sua capacidade de moldar nações e criar unidade entre os povos em virtude de suas próprias ideias é ainda explicado por Lamartine, onde ele diz: "Com base em um Livro, cada letra do qual se tornou lei, ele criou uma nacionalidade espiritual que une povos de todas as línguas e raças. Deixou a característica indelével desta nacionalidade muçulmana: o ódio aos falsos deuses e a paixão pelo Deus Uno e Imaterial. Este patriotismo vingador contra a profanação do Céu formou a virtude dos seguidores de Maomé ﷺ; a conquista de um terço da terra para o dogma foi o seu milagre; ou melhor, não foi o milagre do homem, mas o da razão."
Lamartine comentou sobre o poder do credo islâmico da unidade de Deus, e afirmou que ele era, em si mesmo, um tal milagre que, ao ser proferido de seus lábios, destruiu todos os antigos templos de ídolos. Este dogma era duplo: a unidade de Deus e a imaterialidade de Deus, sendo o primeiro a dizer o que Deus é, e o segundo a dizer o que Deus não é; um derrubando os falsos deuses com a espada, o outro iniciando uma ideia com palavras.
Lamartine commented on the power of the Islamic creed of the unity of God, and purported that it was in itself such a miracle that upon its utterance from his lips, it destroyed all the ancient temples of idols. This dogma was twofold the unity of God and the immateriality of God: the former telling what God is, the latter telling what God is not; the one overthrowing false gods with the sword, the other starting an idea with words.
Mahatma Gandhi,189 o grande reformador indiano, deu sua interpretação da civilização islâmica e de seu fundamento ideológico sob a liderança do Profeta Muhammad ﷺ, afirmando que a expansão do Islã se deveu ao poder das ideias, e não ao poder da espada. Gandhi resume suas conclusões nestas palavras: “Eu queria conhecer o melhor da vida daquele (Muhammad ﷺ) que hoje exerce um domínio indiscutível sobre os corações de milhões de seres humanos. Fiquei mais do que nunca convencido de que não foi a espada que deu ao Islã um lugar na ordem da vida naqueles dias. Foi a simplicidade rígida, a total abnegação do Profeta ﷺ, o escrupuloso respeito às promessas, sua intensa devoção aos amigos e seguidores, sua intrepidez, seu destemor, sua confiança absoluta em Deus e em sua própria missão. Estas coisas, e não a espada, levaram tudo diante de si e superaram todo obstáculo. Quando fechei o segundo volume (da biografia do Profeta ﷺ), lamentei não haver mais para eu ler sobre aquela grande vida.” O vencedor irlandês do Prêmio Nobel, Sir George Bernard Shaw,190 faz as seguintes observações sobre a capacidade do Islã de cumprir seus objetivos declarados de justiça e equidade: “Se alguma religião tivesse a chance de governar a Inglaterra, sim, a Europa, nos próximos cem anos, essa poderia ser o Islã.” Bernard Shaw explica ainda: “Sempre tive a religião de Muhammad ﷺ em alta estima por causa de sua maravilhosa vitalidade. É a única religião que me parece possuir aquela capacidade de assimilação às fases em mutação da existência, capaz de fazer-se atraente para todas as eras. Estudei-o — o homem admirável — e, em minha opinião, longe de ser um anticristo, ele deve ser chamado o Salvador da Humanidade.” Seu estudo do Islã em ação e da ideologia islâmica na prática levou Shaw a expressar seus sentimentos sobre a capacidade do Islã de oferecer um sistema capaz de atender às necessidades dos seres humanos em qualquer tempo e em qualquer lugar; ele diz: “Acredito que, se um homem como ele assumisse a ditadura do mundo moderno, teria sucesso em resolver seus problemas de uma maneira que lhe traria a paz e a felicidade tão necessárias: profetizei sobre a fé de Mohammad ﷺ que ela seria aceitável para a Europa de amanhã, assim como está começando a ser aceitável para a Europa de hoje.”
Mahatma Gandhi,189 the great Indian reformer, gave his interpretation of the Islamic civilization and ideological foundation under the leadership of Prophet Mohammad (PBUH), asserting that the spread of Islam was due to the power of ideas rather than the power of sword. Gandhi sums up his findings in these words: “I wanted to know the best of the life of one (Mohammad) who holds today an undisputed sway over the hearts of millions of mankind. I became more than ever convinced that it was not the sword that won a place for Islam in those days in the scheme of life. It was the rigid simplicity, the utter self-effacement of the Prophet the scrupulous regard for pledges, his intense devotion to his friends and followers, his intrepidity, his fearlessness, his absolute trust in God and in his own mission. These and not the sword carried everything before them and surmounted every obstacle. When I closed the second volume (of the Prophet’s biography), I was sorry there was not more for me to read of that great life.” The Irish Noble Prize winner Sir George Bernard Shaw190 makes the following remarks on the ability of Islam to deliver its declared objectives of justice and fairness: “If any religion had the chance of ruling over England, nay Europe within the next hundred years, it could be Islam.” Bernard Shaw further explains, “I have always held the religion of Mohammad in high estimation because of its wonderful vitality. It is the only religion which appears to me to possess that assimilating capacity to the changing phase of existence which can make itself appeal to every age. I have studied him—the wonderful man and in my opinion far from being an anti-Christ, he must be called the Savior of Humanity.” His study of Islam in action and the Islamic ideology in practice led Shaw to express his feelings about the ability of Islam to deliver a system capable of addressing the needs of humans at any time and at any place; he says, “I believe that if a man like him were to assume the dictatorship of the modern world he would succeed in solving its problems in a way that would bring it the much needed peace and happiness: I have prophesied about the faith of Mohammad that it would be acceptable to the Europe of tomorrow as it is beginning to be acceptable to the Europe of today.”.
Michael Hart191 colocou o Profeta Maomé no topo da lista dos cem indivíduos mais influentes da história da humanidade. Hart justificou sua escolha de Maomé para encabeçar a lista dos maiores homens com o seguinte relato: "Ele foi o único homem na história que obteve sucesso supremo tanto no nível secular quanto no religioso. É provável que a influência relativa de Maomé ﷺ sobre o Islã tenha sido maior do que a influência combinada de Jesus Cristo e de São Paulo sobre o Cristianismo. É essa combinação incomparável de influência secular e religiosa que, a meu ver, qualifica Maomé ﷺ para ser considerado a figura individual mais influente da história humana." Assim como Michael Hart, o Dr. William Draper192 afirma que o Profeta Maomé ﷺ exerceu a maior influência sobre a raça humana. No prefácio de sua tradução do Sagrado Alcorão, John Rodwell193 fez observações semelhantes sobre a carreira do Profeta Maomé ﷺ, como um maravilhoso exemplo da força e da vida que residem naquele que possui uma fé intensa em Deus e no mundo invisível. Rodwell afirma que "ele (Maomé ﷺ) sempre será considerado um daqueles que exerceram tal influência sobre a fé, a moral e toda a vida terrena de seus semelhantes, a qual somente um verdadeiro grande homem exerceu ou pode exercer; e cujos esforços para propagar uma grande verdade prosperarão". Ao comentar a visão comum entre os ocidentais sobre a vida de Maomé ﷺ e sua capacidade de conduzir uma nação à prosperidade, à estabilidade e à projeção global, W. Montgomery Watt194 admira a integridade de Maomé ﷺ, manifestada em sua disposição de suportar perseguições por suas crenças, na elevada índole moral dos homens que nele acreditaram e o tomaram como líder, e na grandeza de sua realização final. Além dessas observações, Montgomery acredita que, no Alcorão e em outras expressões da visão islâmica, existem vastos tesouros de verdade divina dos quais ele e outros ocidentais ainda têm muito a aprender. Segundo ele, o Islã é um forte candidato a fornecer a estrutura básica da única religião do futuro.
Michael Hart191 placed Prophet Mohammad on the top of the first one hundred most influential people in the history of mankind. Hart justified his decision to pick Mohammad to top the list of the greatest people by giving the following account: “He was the only man in history who was supremely successful on both the secular and religious level. It is probable that the relative influence of Mohammad on Islam has been larger than the combined influence of Jesus Christ and St. Paul on Christianity. It is this unparalleled combination of secular and religious influence which I feel entitles Mohammad to be considered the most influential single figure in human history.” Similar to Michael Hart, Dr. William Draper192 asserts that Prophet Mohammad has exercised the greatest influence upon the human race. In the preface to his translation of the Holy Quran, John Rodwell193 made similar observations on Prophet Mohammad’s career as a wonderful instance of the force and life that resides in him who possesses an intense faith in God and in the unseen world. Rodwell asserts that “he (Mohammad) will always be regarded as one of those who have had that influence over the faith, morals and whole earthly life of their fellow men, which none but a really great man ever did, or can exercise; and whose efforts to propagate a great verity will prosper.” Commenting on the common view held by Western people about the life of Mohammad and his ability to lead a nation into prosperity, stability, and global outreach, W. Montgomery Watt194 admires Mohammad’s integrity which is manifested through his readiness to undergo persecution for his beliefs and through the high moral character of the men who believed in him and looked up to him as a leader, and the greatness of his ultimate achievement. Further to these remarks, Montgomery believes that embedded in the Quran and other expressions of the Islamic vision are vast stores of divine truth from which he and other occidentals have still much to learn. In his views, Islam is a strong contender for the supplying the basic framework of the one religion of the future.
Uma das maiores contribuições e conquistas do Islã foi a sua capacidade de transformar as tribos nômades árabes numa sociedade civilizada, com alcance global. Antes do Islã, os árabes eram sobretudo tribos dispersas pelo deserto que não deixaram qualquer vestígio significativo de civilização. A transformação islâmica dos árabes numa nova entidade global, com uma missão bem definida e um método civilizado, foi reconhecida pelo historiador britânico Arthur Glyn Leonard em Islam, Her Moral and Spiritual Values. Ele observa: "Foi o gênio de Muhammad ﷺ, o espírito que ele insuflou nos árabes através da alma do Islã, que os exaltou. Isso os elevou da letargia e do baixo nível da estagnação tribal até o ponto mais alto da unidade nacional e do império. Foi na sublimidade do deísmo de Muhammad ﷺ, na simplicidade, na sobriedade e na pureza que ele incutiu, na fidelidade do seu fundador aos seus próprios princípios, que atuou sobre a fibra moral e intelectual deles com todo o magnetismo da verdadeira inspiração." A transformação ideológica dos árabes numa nação de caráter excepcional, que superou muitas das existentes na época, foi também reconhecida pelo professor emérito de literatura semítica da Universidade de Princeton, Philip K. Hitti, em seu livro History of the Arabs: From the Earliest Times to Present. Segundo Hitti: "Em um breve período de vida mortal, Mohammad ﷺ fez surgir, de um material pouco promissor, uma nação que nunca antes havia sido unida; num país que até então era apenas uma expressão geográfica, ele estabeleceu uma religião que, em vastas áreas, suprimiu o Cristianismo e o Judaísmo, e lançou as bases de um império que logo abrangeria, em seus vastos limites, as mais belas províncias do mundo civilizado da época." Uma das principais razões para a implementação bem-sucedida da ideologia islâmica foi a separação rigorosa entre os motivos egoístas pessoais e os objetivos gerais da missão do Islã. Isto foi observado pelo historiador americano Washington Irving196 em seu artigo "Mahomet and His Successors" (Maomé e Seus Sucessores). Irving resume a integridade e o caráter ideológico do Profeta Muhammad ﷺ nestas palavras: "Em seus negócios privados era justo. Tratava amigos e estranhos, ricos e pobres, poderosos e fracos, com equidade, e era amado pelo povo comum pela afabilidade com que os recebia e ouvia suas queixas." Este caráter singular concedeu ao Islam um poderoso impulso que se estendeu por séculos. Irving continua: "Seus triunfos militares não despertaram nem orgulho nem vanglória, como teriam feito se tivessem sido empreendidos por fins egoístas. No auge de seu poder manteve a mesma simplicidade de maneiras e aparência que tinha nos dias de adversidade. Longe de adotar um estado régio, ficava desagradado se, ao entrar em um aposento, lhe fossem prestadas quaisquer demonstrações incomuns de respeito. Se aspirava a um domínio universal, era o domínio da fé; quanto ao poder temporal que cresceu em suas mãos, ele o exerceu sem ostentação, e não deu nenhum passo para perpetuá-lo em sua família." Uma das maiores realizações do Islam ao longo de sua história de implementação foi sua capacidade de fundir múltiplas nações e raças em uma única nação islâmica (Ummah), com laços de fraternidade e fé. Canon Taylor,197 em um trabalho apresentado ao Church Congress em Wolverhampton, em 1887, faz a seguinte observação: "O Islam dá esperança ao escravo, fraternidade à humanidade e reconhecimento dos fatos fundamentais da natureza humana." Este fato também foi reconhecido pelo historiador R. L. Mellema, que observa que a doutrina da fraternidade do Islam se estende a todos os seres humanos, independentemente de cor, raça ou credo. Ele sustenta, ainda, que o Islam é a única religião que conseguiu concretizar essa doutrina na prática. Na verdade, os muçulmanos, onde quer que estejam no mundo, reconhecerão uns aos outros como irmãos, mesmo quando o Islã, como ideologia, não estiver no nível da governança.
O historiador britânico H. A. R. Gibb198 observa que o Islã possui uma magnífica tradição de compreensão e cooperação inter-raciais, de uma maneira que nenhuma outra sociedade tem um registro de sucesso semelhante ao unir, em igualdade de status, de oportunidades e de esforços, tantos e tão diversos povos da humanidade. Note-se que este poder provém do fundamento do Islã, o qual, se utilizado, ainda tem a capacidade de reconciliar elementos aparentemente irreconciliáveis de raça e tradição que a comunidade mundial enfrenta hoje. A extinção da consciência racial entre os muçulmanos é uma das realizações mais notáveis do Islã. No mundo contemporâneo, assolado por divisões raciais, há uma necessidade premente de propagar esta virtude islâmica. Essa virtude do Islã conquistou a apreciação de historiadores proeminentes, entre eles Arnold Toynbee,199 que analisou com grande minúcia as civilizações do mundo.
The British historian H. A. R. Gibb198 observes that Islam possesses a magnificent tradition of interracial understanding and cooperation, in a manner that no other society has such a record of success uniting in an equality of status, of opportunity, and of endeavors so many and so various races of mankind. Note that this power stems from the foundation of Islam, which, if utilized, still has the capacity to reconcile apparently irreconcilable elements of race and tradition faced by the world community today. The extinction of race consciousness as between Muslims is one of the outstanding achievements of Islam. In the contemporary world, which is ravaged by racial divides, there is a crying need for the propagation of this Islamic virtue. This virtue of Islam gained the appreciation of prominent historians, including Arnold Toynbee,199 who analyzed with great scrutiny world civilizations.
Contrário ao mito propagado nos meios de comunicação de massa de que o terrorismo tem raízes no Islã, a história da civilização islâmica durante os períodos de domínio islâmico aponta na direção oposta. O historiador britânico Wells (1866-1946)200 reconheceu o fato de que os ensinamentos islâmicos integram grandes tradições de tratamento e comportamento equitativos e gentis. Segundo Wells, a doutrina islâmica inspira as pessoas com nobreza e tolerância. Wells admira ainda os valores de ordem mais elevada defendidos pelo Islã e, ao mesmo tempo, praticáveis. Ele também observa que o Islã fez surgir uma sociedade na qual a dureza de coração e a opressão e injustiça coletivas eram as menores em comparação com todas as outras sociedades. O historiador britânico conclui com este testemunho: “O Islã é repleto de gentileza, cortesia e fraternidade.” A política e ativista indiana Sarojini Naidu201 também apreciou a justiça inerente à mensagem do Islã. Ela considerou que o senso de justiça é um dos ideais mais maravilhosos do Islã. Ela escreveu: “Ao ler o Alcorão, encontro aqueles princípios dinâmicos da vida, não místicos, mas uma ética prática para a conduta diária da vida, adequada ao mundo inteiro.”202
Contrary to the myth propagated in the mass media that terrorism is rooted within Islam, the history of the Islamic civilization during the periods of Islamic rule points to the other direction. The British historian Wells (1866-1946)200 appreciated the fact that the Islamic teachings integrate great traditions for equitable and gentle dealings and behavior. According to Wells, the Islamic doctrine inspires people with nobility and tolerance. Wells further admires the highest order values advanced by Islam and at the same time practicable. He also notes that Islam brought into existence a society in which hard-heartedness and collective oppression and injustice were the least as compared with all other societies. The British historian concludes with this testimony, “Islam is replete with gentleness, courtesy, and fraternity.” The Indian politician and activist Sarojini Naidu201 also appreciated the justice inherent within the message of Islam. She contemplated that the sense of justice is one of the most wonderful ideals of Islam. She wrote, “As I read in the Qur’an I find those dynamic principles of life, not mystic but practical ethics for the daily conduct of life suited to the whole world.”202
A outra área de controvérsia é a forma como os muçulmanos e o Islã lidam com os não muçulmanos. O temor de que o Islã e os muçulmanos possam submeter os não muçulmanos a privações e negar-lhes os seus direitos básicos como cidadãos não tem fundamento. Pelo contrário, a civilização islâmica, ao longo do seu período de predominância, é um grande testemunho da justiça do Islã para com os não muçulmanos. Addison James Thayer estudou as relações entre muçulmanos e não muçulmanos e conclui que, mesmo após as guerras das Cruzadas, os governantes muçulmanos raramente fizeram os seus súbditos cristãos sofrerem pelas Cruzadas.203 Ele escreve: “Quando os muçulmanos retomaram o controlo total da Palestina, os cristãos receberam um bom estatuto e experimentaram uma justiça esclarecida.” Addison James também observa que, sob os Cruzados, os cristãos eram proibidos de aceder aos santuários, e só após as vitórias muçulmanas puderam gozar dos seus direitos como cristãos.
The other area of contention is the way Muslims and Islam deal with non-Muslims. The fear that Islam and Muslims may subjugate non-Muslims to hardships and deny them their basic rights as citizens is not founded. On the contrary, the Islamic civilization throughout its prevailing period is a great testimony to the fairness of Islam towards non-Muslims. Addison James Thayer studied the relations between Muslims and non-Muslims and concludes that even after the crusade wars, Muslim rulers seldom made their Christian subjects suffer for the Crusades.203 He writes, “When the Muslims resumed full control of Palestine, the Christians were given a good status and experienced enlightened justice.” Addison James also notes that under the Crusaders, Christians were forbidden access to the shrines, and not until the Muslim victories could they enjoy their rights as Christians.
O nível de avanço alcançado pela ideologia islâmica ao longo de sua implementação é amplamente reconhecido por estudiosos e historiadores. O professor de sociologia e fisiologia da UCLA, Jared Diamond, resumiu de forma notável como o Islã se destacou na época em que a Europa estava atrasada. Ele escreve: “O Islã medieval era tecnologicamente avançado e aberto à inovação. Alcançou taxas de alfabetização muito superiores às da Europa contemporânea; assimilou o legado da civilização grega clássica a tal ponto que muitos livros clássicos nos são conhecidos hoje somente por meio de cópias em árabe. Inventou os moinhos de vento, a trigonometria e as velas latinas, e fez avanços significativos na metalurgia, na engenharia mecânica e química e nos métodos de irrigação. Na Idade Média, o fluxo de tecnologia ia predominantemente do Islã para a Europa, e não da Europa para o Islã. Somente após 1500 é que a direção líquida desse fluxo começou a se inverter.”.
The level of advancement achieved by the Islamic ideology throughout its implementation is widely recognized by scholars and historians. UCLA professor of sociology and physiology Jared Diamond204 remarkably summarized how Islam excelled at the time when Europe lagged behind. He writes, “Medieval Islam was technologically advanced and open to innovation. It achieved far higher literacy rates than in contemporary Europe; it assimilated the legacy of classical Greek civilization to such a degree that many classical books are now known to us only through Arabic copies. It invented windmills, trigonometry, lateen sails and made major advances in metallurgy, mechanical and chemical engineering and irrigation methods. In the middle-ages the flow of technology was overwhelmingly from Islam to Europe rather from Europe to Islam. Only after the 1500’s did the net direction of flow begin to reverse.”.
Os testemunhos e fatos sobre a civilização islâmica em termos de tolerância, fraternidade, justiça, equidade, prosperidade, progresso e direitos humanos são abundantes. A intenção aqui não é oferecer uma aula de história. Trata-se, antes, de aliviar o medo que tomou o coração de muitas pessoas devido às supostas ligações entre o Islã e o terrorismo, o Islã e o tratamento injusto de pessoas, ou o Islã e o atraso. As observações feitas por historiadores, políticos, estudiosos e escritores indicam que o Islã e sua civilização estão longe de qualquer uma dessas conotações negativas.
The testimonials facts on the Islamic civilization in terms of tolerance, brotherhood, justice, fairness, prosperity, advancement, and human rights are abundant. The idea here is not to provide a lesson of history. Rather, it is to quell the fear that has swamped the hearts of many due to links between Islam and terrorism, or Islam and unfair treatment of people, or Islam and backwardness. The observations made by historians, politicians, scholars, and writers all indicate that Islam and its civilization is far from any of these negative connotations.